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Anabela Brito Mendes: “Projetos consistentes precisam-se!”

Anabela Brito Mendes: “Projetos consistentes precisam-se!”

2018-11-28

Passados mais de 40 anos, desde o início da sua prática, continua-se a viver o drama dos clubes acabarem com as suas equipas femininas de futebol.

Os motivos são, regra geral, dois: falta de recursos financeiros ou de recursos humanos. E quando se fala de recursos humanos não nos referimos às jogadoras. Só muito raramente, em todos os casos em que se extinguiram as equipas femininas, o motivo se prendeu com um número reduzido de praticantes disponíveis.

Infelizmente, muitos dos projetos que existem nos clubes, não são do clube, mas sim de uma ou duas pessoas interessadas, que provavelmente foram as que iniciaram o projeto e o mantêm. Tanto a nível logístico, como de angariação de receitas que fazem face aos custos.

Se eventualmente, por uma qualquer razão, essa ou essas pessoas se afastam, as equipas ficam bastante fragilizadas. E daí até acabarem muitas vezes dista um passo.

Ainda não existe, da parte dos clubes, uma aceitação plena do futebol feminino como uma prioridade, apesar da grande onda de envolvência que se tem vindo a verificar, com o aparecimento de várias equipas em novos clubes.

Nesse sentido, as principais - atrevia-me a dizer, as únicas - prejudicadas são as jogadoras. Que veem o projeto onde estavam envolvidas acabar de um dia para o outro. Pode-se argumentar que existem sempre equipas que as recebem e, no final, é quase como se não se tivesse passado nada. Nem sempre é assim, porque muitas vezes não há equipas “à volta” para receber todas as jogadoras e, ainda que houvesse, estatisticamente fica sempre registado que há uma equipa a menos. E o que se deseja é que o número aumente, não que seja substituído por outra.

Mas aceitemos que, com maior ou menor dificuldade, regra geral as jogadoras que querem continuar a jogar acabam por encontrar solução noutra equipa.

Fica, no entanto, o quase princípio de que é mais fácil, ou frequente, acabar com uma equipa feminina do que uma masculina, mesmo que seja de um escalão de formação. E é este tipo de paradigma que temos de ajudar a eliminar.

Os dirigentes têm de olhar com os mesmos olhos para o futebol, independentemente do género de quem o pratica. E fazer o mesmo esforço para manter uma equipa, seja ela feminina ou masculina. Para que possamos ter a certeza de que o aparecimento de novas equipas seja algo que vá ter reflexo no crescimento do futebol feminino em Portugal.

Que não sejam projetos efémeros, frutos de um entusiasmo temporário, de um ir na onda porque é moda, mas sim projetos convictos e com futuro - como felizmente existem vários exemplos em Portugal.

As nossas jovens jogadoras precisam e merecem essa consistência.

Texto e foto: Anabela Brito Mendes.

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