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“Os jogadores sentem que há uma estrutura que se preocupa com eles”

“Os jogadores sentem que há uma estrutura que se preocupa com eles”

2017-02-02

A Associação Portuguesa de Jogadores Amadores (APJA) celebrou o seu primeiro ano de existência no dia 1 de fevereiro de 2017.

Criada com o apoio do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), a APJA tem-se dedicado ao auxílio e resolução de problemas das jogadoras e jogadores amadores de futebol, futsal e futebol de praia.

Em 2016, a APJA realizou mais de 260 visitas a clubes amadores e somou mais de dois mil associados.

Em entrevista ao site da APJA, o presidente  José Carlos fala-nos sobre a missão da associação, os objetivos atingidos e as metas para o segundo ano de existência.

Que balanço faz deste primeiro ano de atividade?
É um balanço extremamente positivo. Em termos de adesão, quer de jogadores masculinos amadores, quer do futebol feminino, a adesão tem sido boa. Os números são expressivos, uma grande percentagem dos atletas e dos clubes que temos visitado encara o aparecimento da APJA com muito otimismo e a adesão tem sido grande. Os números falam por si. Na verdade o Sindicato já prestava apoio aos jogadores amadores, agora têm é a possibilidade de formalmente aderir e tornar-se associados da APJA, coisa que antes não sucedia, já que o Sindicato incorpora os profissionais.

Qual é o feedback que tem recebido por parte dos jogadores que tem visitado?
Estão muito entusiasmados com o facto de terem uma estrutura que se interessa por eles, que está próxima, que está disposta a defender os seus direitos e a representá-los. O facto de termos a cobertura do Sindicato também é extremamente positivo. Toda a gente reconhece o trabalho que o Sindicato tem feito a nível profissional e o facto de querermos estender o nosso raio de ação para o futebol amador é encarado pelos jogadores com grande otimismo. E, muito sinceramente, está dentro das nossas expetativas. A recetividade tem sido muito elevada.

O futebol feminino tem ganho praticantes e dimensão. Esta realidade projeta-se na APJA?
Sim, claro que sim, reflete-se totalmente. E, formalmente, houve o cuidado de nos órgãos socias garantir a igualdade de género. A Carla Couto é vice-presidente e tem feito um trabalho fantástico junto das atletas. Sentimos que podemos contribuir com a nossa quota-parte para o desenvolvimento da modalidade e as jogadoras sentem que podem contar connosco. A par da Federação, os clubes e as jogadoras querem elevar o nível do futebol feminino e, nessa perspetiva, o Sindicato e a APJA querem fazer parte dessa mudança. Não é fácil o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal. Ainda é bem diferente daquilo que se passa em muitos países da Europa, mas de qualquer das formas, há paixão, existe potencial humano, as nossas jogadoras têm realmente capacidade e qualidade. Muitas jogadoras já jogam nas melhores ligas europeias e sentindo isso, como é óbvio, é normal que se possa projetar num futuro a médio prazo uma liga de futebol feminino mais competitiva, mais profissional e com a participação de mais clubes grandes, como o Benfica, o FC Porto e outros. O Sporting e o SC Braga deram recentemente esse passo.

Que principais desafios se colocam para o segundo ano da APJA? Algum projeto, campanha ou iniciativa prevista?
Em primeiro lugar garantir a representatividade da APJA nas principais estruturas do futebol e do desporto. Assegurar que o futebol masculino, o futebol feminino, e em particular o futsal e o futebol de praia ganhem expressão ao nível dos associados. Paralelamente, garantir cobertura nacional, isto é, garantir representatividade em todos os distritos. E finalmente, assegurar um conjunto de serviços muito bem definidos que garantam as condições mínimas na prática da respetiva modalidade. Estamos a pensar desenvolver algumas campanhas, como a oferta de caneleiras. Já falei com alguns clubes e todos eles ficaram muito entusiasmados. Sinto que todo o tipo de campanha que possamos angariar para o jogador amador: material desportivo, a questão de formação… todo o tipo de iniciativa que possamos fazer é bem recebido por eles, noto isso.

Quais são as principais questões e dúvidas levantadas pelos jogadores amadores?
A experiência no terreno dá-nos uma fotografia da realidade bem diferente daquela que muitas vezes nos contam. As condições básicas para a prática desportiva, nomeadamente campos, balneários, equipamentos ou os próprios horários de treinos merecem harmonização. A questão dos seguros e respetivas coberturas e a compatibilização da escola com os treinos também merecem preocupação. As jogadoras e os jogadores estrangeiros debatem-se com a legalização em território nacional. Há também a questão do falso amadorismo ou profissionalismo. Isto é, jogadores que recebem uma contrapartida financeira, mas não os direitos que daí decorrem. Temos recebido queixas de alguns jogadores, não só do futsal, mas também no futebol de onze, de promessas não cumpridas por parte de alguns dirigentes, o que é normal. Enquanto que no profissional as coisas estão escritas, no amador não estão, há muitos compromissos verbais, há muita confiança, e por vezes não são cumpridos.

A APJA tem dado resposta a esses mesmos problemas?
A APJA procura marcar a diferença. Quer estar presente, quer ser parte da solução, quer ser em especial a voz desses jogadores. Isto vale para os jogadores e para as jogadoras. Neste aspeto beneficiamos de apoio profissional. O gabinete jurídico do Sindicato tem experiência acumulada e isso é uma boa garantia para nós.

Qual é o papel do Sindicato na promoção da APJA?
O papel do Sindicato é fundamental neste arranque. Foi a preocupação concreta pelos amadores e a vontade do Sindicato em ajudar que esteve na origem da APJA. Há aqui uma lógica de solidariedade genuína. No que depender de nós nenhum jogador deixará de ter ajuda, uma porta aberta, um apoio pessoal. Neste momento, eu, a Carla Couto, o João Oliveira Pinto e o Rebelo assumimos no terreno essa responsabilidade. E brevemente contaremos com mais jogadores e jogadoras com a mesma paixão.

Que mensagem, enquanto presidente da APJA, quer deixar aos jogadores amadores?
Àqueles que já são sócios, uma palavra de agradecimento pelo facto de terem aderido e de depositarem em nós essa confiança para os representarmos. Estamos conscientes da nossa responsabilidade e vamos fazer tudo para que as coisas corram pelo melhor. Para aqueles que não aderiram ainda, ou que têm dúvidas, ou para aqueles que nós ainda não visitámos, que adiram e que vejam em nós uma estrutura com vontade e com capacidade para os representar e para os ajudar. Um apelo para que não sejam indiferentes à sua profissão ou atividade. Participem e informem-se. Só desta maneira é possível melhorar as condições que existem.

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