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Opinião: “Chore no começo para rir no fim”

Opinião: “Chore no começo para rir no fim”

2019-07-12

Foi com esta frase, dita com voz embargada pela frustração, que Marta Silva (internacional brasileira e a melhor jogadora do mundo) terminou a flash interview, após a eliminação do Brasil pela França, nos oitavos-de-final do Mundial deste ano.

A internacional brasileira, e cinco vezes a melhor do mundo pela FIFA, pôs o dedo na ferida e deixou alguns recados. Para as jogadoras mais jovens, mas acredito que também para algumas das suas contemporâneas.

Falou da necessidade de se trabalhar mais e melhor, de estarem preparadas para jogarem 90 minutos, mas mais 30 se for preciso e alertou para o facto de as três grandes referências da equipa não durarem para sempre: a própria Marta, a Formiga e a Cristiane.

A alusão ao tempo do prolongamento não é inocente, visto o Brasil ter sido eliminado num jogo com 120 minutos. A melhor do mundo sentiu que não teve equipa à altura do seu talento e empenho – de forma simples é isso mesmo. E não deixa de ser uma grande verdade. O Brasil, enquanto equipa, é muito pouco para acompanhar Marta.

A mensagem que ela deixa, em vez de se perder em confrontos com os verdadeiros responsáveis – a CBF – vai direta para as jogadoras. Na verdade, está nelas o poder de exigir mais. De forçar a barra. E para isso é preciso haver trabalho, compromisso, dedicação. Não há exigências que surtam efeito sem terem por base essas premissas.

Entende-se a frustração de Marta, que vê o futebol feminino a despontar para um novo ciclo, no ocaso da sua carreira. As grandes oportunidades, que ela já teve, agora serão ainda maiores. E o que a frustra é sentir que há jogadoras que tomam isso por adquirido, que chegam ao topo e pensam que chegando lá já não se sai. E não procuram superar-se e dar tudo de si em prol do coletivo. Esse é, para mim, o grande desafio do futuro: sentir o coletivo.

O mundo está lentamente a abrir portas para o futebol feminino. É hora de as jogadoras arregaçarem as mangas e agarrarem essa oportunidade para lutar por condições nunca antes conseguidas.

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